Educação ambiental começa bem cedo

Em 10, 20 anos, o mundo seria um lugar muito melhor para se viver se os nossos pequenos e pequenas aprendessem o quão importante é cuidar do nosso planeta. Crianças sensibilizadas se tornarão cidadãos conscientes. Pensando nisso, resolvi escrever este post, que traz algumas dicas de educação ambiental.

Crianças de 0 a 6 anos

Pesquisando sobre o assunto, vi que a educação ambiental pode começar bem cedo, desde o nascimento, com mais ênfase a partir dos três anos. Nesta faixa etária, as crianças ainda não conseguem entender as tragédias e os problemas ambientais, ou seja, os efeitos da nossa ação sobre o Planeta. Dessa forma, se a abordagem for negativa, a criança pode responder com medo, tristeza ou mostrar certa apatia. Neste momento da vida, o importante é construir o respeito da criança pela natureza, fazendo com que se estabeleça uma relação emocional. Especialistas acreditam que essa base é essencial para a formação de um adulto ambientalmente consciente.

E para construir essa relação, é importante proporcionar à criança a experiência de interação com o meio ambiente. Fazer atividades ao ar livre e ter contato com terra, plantas, alimentos, mato, grama, insetos, animais, areia, conchas. Tudo isso faz com que as crianças desenvolvam um relacionamento com o mundo natural. E os pais e educadores precisam oferecer tempo para que a criança explore o ambiente, assim como organizar atividades, falar sobre a beleza da natureza e, claro, garantir a segurança do bebê durante essa interação.

Crianças e adolescentes

O comportamento dos adultos, seja ele bom ou ruim, influencia diretamente as crianças e os adolescentes, independentemente da idade, e é prontamente assimilado e, muitas vezes, replicado. Então, essa é a principal lição. Observe a forma como interage com o meio ambiente. Economia de água e energia em casa, separação correta do lixo, escolha por produtos que utilizam menos embalagens ou materiais reciclados, e por aí vai… E sempre envolva o seu filho nestas atividades. Parece bobagem, mas não é, pois dessa forma ele se sente parte do processo. E claro, a escola desempenha importante papel neste processo todo, mas não podemos transferir responsabilidades. Seria um complemento, que infelizmente no Brasil ainda não é uma realidade. Até aí nenhuma surpresa, não é minha gente? O Brasil tem uma Lei sobre Educação Ambiental, de 1999, a qual prevê que a matéria seja “prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal”. Atualmente, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte está analisando o Projeto de Lei do Senado (PLS) que altera essa legislação de 1999, para garantir que a educação ambiental seja disciplina específica no ensino fundamental e médio e não transversal.  Se isso acontecer, ponto para o planeta!


 

Mais energia limpa

O Brasil, felizmente, deu um passo importante para estimular a produção doméstica de energia elétrica. Agora, os consumidores – residenciais, comerciais e industriais – podem transferir a energia excedente que geram para vizinhos, parentes, condomínios ou cooperativas de pessoas físicas ou jurídicas. Basta comprovar o vínculo entre os integrantes do grupo.  Antes a transferência de créditos ocorria apenas entre locais com o mesmo CPF ou CNPJ.  A partir desta nova regulamentação, condomínios, por exemplo, podem construir uma rede interna, compartilhando os custos entre os moradores.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) estima que com esse novo estímulo, até 2024 cerca de 1,2 milhão de unidades consumidoras passem a produzir sua própria energia, o que totalizaria 4,5 gigawatts de potência instalada. De 2012, quando a agência publicou a resolução que permite ao consumidor gerar e trocar energia com a distribuidora local, até o final de 2015 foram instaladas 1.285 centrais geradoras, sendo 96% movidas a energia solar. Os 4% restantes são geradores eólicos, híbridos (solar e eólica), hidráulico e as movidos a biogás e  biomassa.

A produção doméstica de energia não é uma mudança que pode ser feita do dia para a noite. Infelizmente a maior parte dos consumidores brasileiros não tem como adquirir a tecnologia em razão do custo elevado, que hoje varia de  R$ 15 mil a R$ 20 mil por residência.  Mas a mudança é importante e pode motivar muita gente.

Só para lembrar, a geração de energia elétrica impacta o meio ambiente e, dependendo da fonte geradora, possui elevado nível de emissão de gases de efeito estufa. Isso ocorre principalmente com as termoelétricas a base de carvão e gás natural. No Brasil, cerca de 80% da energia utilizada vem de hidrelétricas. Neste caso, há impactos social (nas comunidades do entorno) e ambiental decorrentes do represamento de rios.


 

 

Como plantar com sobras de alimentos

reaproveitamento de alimentos

Encontrei umas dicas ótimas de reaproveitamento de alimentos, utilizando-os como mudas para novos cultivos. De acordo com a FAO, atualmente cerca de 1/3 de todo o alimento produzido no mundo vai para o lixo (perdas e desperdício), o que corresponde a 1,3 bilhão de toneladas por ano. É muita coisa, considerando que ainda hoje uma parte da população do planeta passa fome. Agora, imagine quanto isso representa de perda de água, terra, energia, entre outros insumos utilizados durante o plantio. E o impacto de tudo isso?

fao
Perdas por categoria (FAO)

Além de inserir na nossa alimentação partes dos alimentos usualmente descartadas e utilizar o lixo orgânico como adubo – podemos falar sobre esses temas em outros posts -, o plantio de sobras aparece como mais uma alternativa. Sei que muitas pessoas moram em apartamentos ou espaços pequenos, mas a dica principal é colocar o vaso ou a vasilha com água perto de uma janela com incidência de sol. Também é preciso regar sempre e, em caso de vasos, utilizar adubos regularmente. Existem opções orgânicas no mercado ou você pode produzir o seu com sobras de alimentos. Fiz esses vasos da foto abaixo para a minha irmã. Também é uma ótima alternativa para presentear amigos.

IMG-20160418-WA0006

Vamos às dicas:

Coentro, manjericão, hortelã, alecrim, aipo, erva cidreira: basta colocar a parte inferior dos talos em um copo com água (cuidado com os mosquitos, troque a água sempre!). Os talos do manjericão devem ser cortados com 10 a 15 cm, deixando as folhas da parte de cima. Quando as raízes atingirem 2 centímetros, pode plantar em um vaso. O hortelã pede muita água

Gengibre: plante o gengibre mesmo, com o broto voltado para cima.

Tomate:  separe as sementes, lave, seque e plante. O tomate cereja é mais resistente.

Cebolinha e alho poró: deixar na água a parte branca da base (imergir 2,5 cm) com um pedaço da parte verde. Troque a água todos os dias. Pode cultivar a cebolinha na água mesmo ou plantar em um vaso.

Alho e cenoura: nestes casos são aproveitadas as folhas. Colocar os dentes de alho e as cabeças da cenoura em um recipiente com água. Depois de alguns dias as folhas começam a brotar. Elas podem ser utilizadas para complementar e temperar pratos.

Alface e repolho: colocar a cabeça em uma vasilha com água. Quando começar a criar raízes e folhas, a muda pode ser plantada na terra. No caso da alface, o cultivo pode ser na água.

Cebola: coloque a parte usualmente descartada da cebola em um recipiente com água e quando aparecerem as raízes plante em um vaso.

Foto do destaque: FAO


 

Carros a diesel no Brasil…

carros a diesel
carros a diesel

Carros são um outro problema para o planeta, em especial para países como o Brasil.  De acordo com o Observatório do Clima, as emissões brasileiras do setor de transporte cresceram 143% de 1990 a 2012. A ampliação do acesso das pessoas a bens e serviços, como automóveis, faz com que as nações emergentes sejam um dos principais focos emissores nos próximos anos.

O nosso país deixa muito a desejar quando o assunto é transporte público. Vivo em uma cidade não muito distante de São Paulo, que é servida por um trem. Vez ou outra utilizamos o serviço, mas sempre quando não temos um compromisso que exige o cumprimento de horário, pois algumas vezes o trem simplesmente deixa de funcionar ou reduz a velocidade.  Nessas situações, só resta esperar ou descer em uma estação no meio do caminho e procurar a rodoviária mais próxima. Na minha casa temos como opção o carro, mas muitas pessoas não possuem. Imagine o desejo de adquirir um bem que elimine esse perrengue diário! Daí o desespero: na primeira oportunidade, o cidadão compra um carro. E a solução seria simples. Um serviço decente de trem, como existe em diversos países mais organizados, que interligasse as cidades da região à capital.

Além de não investir na melhora da infraestrutura de transporte público, o Brasil está discutindo a liberação da venda de carros a diesel, nos modelos de passeio (aqui mais detalhes), um retrocesso em relação ao que vem acontecendo no mundo e um perigo para a saúde da população. Segundo o Conselho Internacional de Transporte Limpo  (ICCT), caso isso aconteça, aproximadamente 150 mil pessoas podem morrer em decorrência de poluição até 2050. Sinto uma dor no peito ao ver caminhões e caminhonetes movidos a diesel emitindo uma quantidade absurda de fumaça, capaz de deixar qualquer um zonzo. E como moro em uma área rural, onde existem muitos desses, dia sim dia não encontro uma “maria fumaça” pelo caminho.  Moral da história: a inspeção não existe no Brasil e ainda querem aprovar carros a diesel, que emitem partículas extremamente perigosos quando não há manutenção correta! E não precisamos de diesel aqui, pois o Brasil é pioneiro na produção de etanol, um combustível bem mais limpo, que é praticamente neutro em emissões – se a gente avalia todo o ciclo, da produção à utilização.

Além disso, outros países, em especial os da Europa, têm adotado metas rigorosas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa pelos carros, assim como do consumo energético, e para isso possuem legislação específica, como o padrão Euro 6.  Mas o modelo utilizado aqui pelas montadoras é outro, muito mais frouxo.  O estudo Eficiência Energética e Emissões de Gases de Efeito Estufa (Coppe/UFRJ e Greenpeace) indica que se a indústria brasileira de automóveis adotasse meta de eficiência energética alinhada à europeia, mesmo que dobrasse o número de carros em 2030, as emissões seriam cerca de 10% menores do que as de 2010. Infelizmente as novas tecnologias, como carro elétrico, são caras e pouco acessíveis.

Recentemente tivemos uma pequena evolução no Brasil e alguns parâmetros foram criados para ajudar o consumidor a decidir pelo carro mais econômico ou menos poluente: o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, e a Nota Verde, do Ibama – embora essa última deixe a desejar, pois não traz informações de vários modelos, além de apresentar dados confusos e repetidos. Para quem não tem acesso a um serviço de transporte público “aceitável” e precisa optar pelo automóvel, olhar esses selos quando for comprar um carro pode ser um ato de cidadania e responsabilidade. Vamos pensar nisso.


 

Um novo olhar sobre o consumo

economia circular
Na economia circular a noção de propriedade é modificada

O que vocês acham de um futuro sem a noção de propriedade sobre TVS, celulares, computadores, fogões, máquinas de lavar roupa e diversos outros bens que facilitam a nossa vida, mas deixam o Planeta cada vez mais cheio de lixo? Neste futuro, possuiríamos a licença de utilização, assim como o serviço de manutenção, e pagaríamos uma taxa por isso. Esse é um dos princípios da economia circular, uma revolução na forma como enxergamos o consumo.

A Época Negócios de abril traz uma entrevista com Ellen MacArthur, criadora da Ellen MacArthur Foundation, que tem buscado convencer empresas de vários lugares do mundo sobre a viabilidade da economia circular. Nessa proposta, os fabricantes redesenhariam o seu modelo de produção atual, assim como a forma de venda e interligação com toda a cadeia. Os produtos antigos seriam reaproveitados no próprio processo produtivo. E em alguns setores, além da recuperação na fábrica, também existe a possibilidade de o material ser regenerado biologicamente, voltando para a natureza.

Quando vejo esse tipo de iniciativa, que une tecnologia e inovação para repensar o nosso futuro, fico confiante. A Comissão Europeia já anunciou um ambicioso pacote de medidas relacionadas à economia Circular, que prevê metas até 2030. E Ellen garante que o conceito pode ser aplicado a qualquer setor da economia, desde que o processo consiga engajar não só empresas, mas também academia, órgãos reguladores e os governos.

A economia circular é uma opção para o problema do esgotamento de recursos e elevada geração de lixo e, segundo a McKinsey, pode ser muito rentável. De acordo com a consultoria, a adoção deste modelo adicionaria à economia US$ 1 trilhão até 2025 e geraria 100 mil novos postos de trabalho.

System_diagram_cropped

 


 

 

Comer carne prejudica o Planeta?

gado aquecimento global
A pecuária e o aquecimento global

Tenho muitas dúvidas sobre esse tema. Não acredito que o mundo todo se tornará vegetariano para contribuir com as reduções das emissões de gases de efeito estufa. Excesso de ceticismo, pode ser, mas não vejo esse cenário como algo possível, pelo menos hoje. Algum dia, uma grande transformação na Terra pode levar a isso, mas voluntariamente, não acredito mesmo.

De um lado existe um imenso mercado consumidor de carne, em franca expansão, e pesquisas indicam uma relação direta dos rebanhos com o aquecimento global. No Brasil, segundo estudos, o desmatamento da Floresta Amazônica em decorrência das pastagens chegou a responder por 50% dos gases de efeito estufa do país. No mundo, estima-se que a pecuária seja responsável por 15% das emissões. Do outro lado há uma corrente que garante que o manejo sustentável da atividade pode transformar a carne de vilã a mocinha nessa história toda, ajudando o Planeta.

Embora tenha dúvidas, uma coisa é certa: uma alimentação balanceada é composta por ingredientes variados. Existem muitas opções e acho que precisamos experimentar mais. O levantamento “Changing climate, changing diets” (Mudando o clima, mudando a dieta), publicado recentemente pelo centro de estudos Chatham House, apontou que o consumo moderado de carne vermelha pode contribuir com um quarto da meta global de cortes na emissão de gases causadores do efeito estufa até 2050. Até aí, nós cidadãos, podemos nos envolver e nos engajar. Além disso, a OMS relacionou recentemente o consumo de carne vermelha e processada com o aumento do risco de câncer colorretal. Então, coma com moderação.

Por outro lado, existem mudanças que devem ser conduzidas pelos produtores, mas o consumidor sempre tem como dar um empurrãozinho. Antes de comprar podemos tentar saber a procedência e só adquirir alimentos que foram produzidos de forma sustentável. Nicolette Hahn Niman, autora do livro “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production” (Defendendo a carne: o case da produção bovina sustentável), afirma que é possível produzir carne com pouco impacto ambiental. Niman, que é vegetariana e possui uma empresa de carne bovina de pasto, disse que o bom manejo da atividade pode reduzir as emissões. São práticas adequadas nos pastos, suplementos nutricionais para diminuir o metano nos bovinos e até a criação de besouros coprófagos nas pastagens, pois eles se alimentam das fezes dos animais. Ela garante ainda que a pecuária pode ajudar a restaurar o carbono ao solo, um ponto contra o aquecimento global, já que terras cobertas por plantas e que nunca são aradas recapturam o carbono, mantendo-o estável.