Todos os post de Fernanda Arimura

Sou jornalista e cidadã preocupada com os rumos do planeta

Os jovens no mundo

Duas notícias desta semana nos fazem refletir sobre os caminhos que seguimos e  os fatores que nos levam a eles. Ao mesmo tempo em que o Brasil parou  com o assassinato de alunos de uma escola pública e funcionários, ato cometido por jovens, leio que  adolescentes de várias regiões do mundo organizaram uma greve pelo clima.

O que gera essas diferenças gritantes de comportamento e visão de mundo e empurra um para o lado A e outro para o lado B? No Brasil, 23% dos jovens não trabalham e nem estudam, são os nem-nem, termo que vem ganhando, infelizmente, cada vez mais corpo dentro da sociedade. Isso não significa que essas pessoas estão paradas. Segundo pesquisas, muitas buscam encontrar um emprego, mas sem sucesso, especialmente devido à situação crítica do mercado de trabalho brasileiro. A taxa de desemprego entre aqueles que têm de 18 a 24 anos é o dobro da registrada na população em geral  e ultrapassa 26%. Outro estudo indica que, no ano, 1 em cada quatro jovens entre 15 e 17 anos abandona seus estudos . Ou seja, temos uma geração em um limbo social, que pode perder as perspectivas de futuro.

À questão social adiciona-se outra característica preocupante, a desestruturação familiar, provocada, na maior parte dos casos, pela ausência física ou emocional dos pais ou de um responsável. A criança cresce com falta de carinho, muitas vezes vítima de violência, sem conhecer limites. Algumas acabam desenvolvendo problemas de comportamento. Estima-se que 10% dos adolescentes sofram de depressão no país. Além disso, uma pessoa exposta a condições de abandono está mais propensa a nutrir sentimentos negativos e rancor. Neste sentido, percebe-se aí que assédios, como o bullying, por exemplo, podem afetar com mais intensidade os que estão nesta condição.  Pesquisa feita nos EUA com assassinos que conduziram massacres aponta que a maior parte sofria bullying.

Este mesmo estudo feito nos EUA identificou que a maioria tinha  acesso a armas dentro de casa, o que inegavelmente acaba facilitando o ato, pois o jovem passa a ver aquele instrumento de forma mais natural. O culto à violência dentro da sociedade é outro fator que empodera aqueles que já vêm sendo massacrados pela vida e se agarram às piores escolhas para encontrar uma saída para sua situação. Enfim, seguir pelo caminho A ou B não depende apenas de uma coisa, mas sim é resultado de um conjunto de cenários, que, juntos, podem se apresentar de forma explosiva.

E no outro lado dessa história, na mesma semana, estão jovens de 150 países preocupados com o aquecimento global. Em um ato, no dia 15 de março, foram para as ruas protestar contra as mudanças do clima. Neste caso, a consciência da importância da coletividade e de olhar para além dos seus muros impera. E  surge aqui uma outra perspectiva, a visão de futuro, que aqueles jovens de São Paulo, perderam em algum momento da vida.

Como sociedade que quer deixar um planeta habitável para as próximas gerações precisamos agir para tentar eliminar todos os ingredientes que podem gerar a combinação explosiva. Cada um tem um papel. Os cidadãos que têm filhos, e eu me incluo neste grupo, precisam repensar a forma como estão criando essas crianças. A conexão emocional, a imposição de limites com amor, tudo isso se faz presente? O dia a dia é difícil e precisamos sempre respirar antes de agir e falar. Sei bem disso e como não é simples. Mas precisamos nos esforçar. Para os que têm ou não filhos, deveriam considerar se sua postura social não transmite ódio e intolerância às diferenças, sejam raciais, de gênero, de posições políticas, e se não estão contribuindo para ampliar a consciência coletiva da violência. Os governos  precisariam cumprir a sua razão de ser, com a criação de políticas que estimulem os empregos e a educação inclusiva, estimulante e alinhada às transformações da sociedade.  As empresas, com um olhar mais equilibrado sobre o lucro e a distribuição de riqueza, devem agir em prol do desenvolvimento social e da empregabilidade, até porque se não fizerem isso não terão mercado consumidor suficiente para suportar seu crescimento futuro. Um mundo melhor, nas perspectivas sociais e ambientais, poderá emergir sobre essas bases modificadas e melhoradas.

Gente e tecnologia

Há tanto tempo não passo aqui. O dia a dia tem sido corrido. Muito trabalho e mais um bebê na minha vida.  Apesar desta ausência, as minhas reflexões sobre os nossos desafios estão mais vivas do que nunca, especialmente neste momento de crescimento da família. Desses desafios, o que mais me intriga, em alguns momentos me encanta e diversas vezes me incomoda é como conseguiremos lidar com a tecnologia de forma positiva.

As transformações da sociedade estão ocorrendo rapidamente  e não sei como a humanidade acompanhará isso. Li esses dias que a inteligência artificial deixará 800 milhões sem empregos em 2030. Logo ali. Assustador, especialmente para quem tem filhos. O que faremos daqui a alguns anos? Será que a sociedade se organizará de outra forma e conseguirá alocar todo mundo? E quem não tem acesso a uma educação de qualidade, como se colocará neste contexto? Viveremos em um estado de barbárie, com muitos nas ruas sem ter o que fazer, o que comer e como sobreviver? Ou a tecnologia encontrará as soluções para esses problemas e proverá as necessidades básicas da população? Espero que sim… Que surjam mentes brilhantes e cheias de humanidade (recebi ontem uma mensagem de uma amiga desejando humanidade para 2018. Que assim seja Leonor!)  capazes de organizar a sociedade de forma a superar todos esses desafios.

Então vamos olhar a metade cheia do copo. Se as pessoas passarem a ser vistas como o centro de qualquer transformação, a tecnologia pode ser uma grande aliada da humanidade em várias questões, como o meio ambiente. Há um ano e meio venho trabalhando com o programa Low Carbon Business Action in Brazil e neste tempo tive acesso a soluções bem interessantes na área de geração de energia renovável e reaproveitamento de resíduos. Coisas daqui e da Europa, já que o programa é promovido pela União Europeia.  Conheci um pessoal do Rio Grande do Sul. Essa turma descobriu formas de reaproveitar diversos tipos de resíduos, transformando-os em produtos finais ou insumos com um nível de resistência muito bom para diversos tipos de indústria. Instalam pequenos aparelhos de reciclagem e  conseguem desenvolver coisas incríveis, customizadas, a depender das necessidades. A empresa criou um programa com os próprios catadores, que coletam e geram o produto final a partir do insumo. Assim, contribui com o meio ambiente e  com a geração de renda. E melhor, o pessoal que conduz essa empresa  realmente quer promover transformação social. Existe uma motivação genuína por trás desse negócio. São nessas mentes brilhantes com propósito que acredito, e  um exemplo como este nos mostra que nem tudo está perdido.

Acho que a tecnologia também pode acabar com a fome no mundo, se as práticas de cultivo e plantio evoluírem nos próximos anos. As fazendas urbanas, nas fachadas dos prédios, a produção de carne em laboratório, considerando que dificilmente o mundo  irá virar vegetariano e a forma atual de criação de animais não se sustenta por muito tempo do ponto de vista ambiental, são alternativas bem interessantes. Tem coisas que parecem saídas da série Black Mirror, mas estão mais próximas da nossa realidade do que muitos imaginam.

Outra frente promissora é a da saúde. Os avanços na área da medicina têm permitido diagnosticar uma doença muito antes de surgir. Sem falar no tratamento, que evolui exponencialmente. E o melhor de tudo isso é que em um mundo colaborativo, as soluções são pulverizadas e envolvem pessoas de diversas áreas, com diferentes formações. Plataformas de incentivos lançam desafios, os quais engajam gente curiosa de qualquer lugar do mundo. Médicos, engenheiros, matemáticos, todos juntos podem encontrar soluções para uma doença, por exemplo. Por que um mecanismo da engenharia não poderia ser aplicado no contexto da medicina? Em um mundo conectado pela tecnologia tudo é possível.

Convido a todos neste final de ano a colocar muitas vibrações positivas para que esses avanços que conquistamos nos últimos anos e os novos que surgem a cada minuto sejam utilizados de forma positiva, em prol da humanidade e não de interesses financeiros ou de governos.


 

Indignação que gera ação

Muitas vezes os bons sentimentos e as atitudes mais nobres e inspiradoras surgem em momentos adversos, após algum trauma ou acontecimento ruim. Nestes últimos dias, o ato insensato de Donald Trump, um ser humano com visão limitada sobre o que é ser humano, no sentido mais amplo da palavra, motivou a união, o engajamento e a ação. Vejam que o presidente chegou a justificar que as metas de redução previstas para o país seriam uma forma de prejudicar a competitividade norte-americana. Ou seja, o aquecimento global, um fato, para Trump é uma invenção para acabar com os Estados Unidos. O que podemos esperar de uma pessoa com esta mentalidade?? E pior, a pessoa em questão lidera uma das nações mais poluidoras do mundo.

Após Donald Trump anunciar sua intenção de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, no qual 196 nações se comprometeram a diminuir suas emissões para conter os efeitos do aquecimento global, diversos agentes se posicionaram enfaticamente sobre o tema. A União Europeia e a China reforçaram sua participação no Acordo e prometeram liderar esse processo. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, governadores indicaram que continuarão trabalhando para que a meta de redução das emissões seja cumprida em seus respectivos estados. Além disso, grandes grupos norte-americanos, tais como GE, Microsoft, Google, Apple, Coca-Cola, entre outros, também ratificaram o compromisso com o clima e se posicionaram contra a decisão do presidente do país.

Estas manifestações mostram que é possível encarar um problema de frente  e ter uma atitude positiva diante dele. A ação individual somada a várias outras ações individuais podem impactar e transformar o todo. Mais do que nunca precisamos assumir o nosso papel como cidadãos que buscam ainda um futuro para o Planeta – enquanto é tempo. Vamos fazer o que está ao nosso alcance: consumir menos, reaproveitar, utilizar conscientemente insumos como água e energia e ensinar esses comportamentos para nossos filhos e família. Não só neste Dia Mundial do Meio Ambiente,  mas na nossa rotina diária,  esta pode ser uma boa forma de manifestação, se você, como eu, ficou ficou indignado com a atitude de Trump. Assim protestamos ativamente, não só com palavras, mas fazendo algo de efetivo para o nosso Planeta.

Imagem: Pixabay


 

Bom lembrar que o aquecimento global é real

Com o presidente norte-americano e sua equipe propagando que o aquecimento global não passa de uma invenção para prejudicar os EUA, vale a pena ver este trecho do premiado documentário Chasing Ice (Perseguindo o Gelo), de 2012. O vídeo registra os efeitos das mudanças climáticas e captura na Groenlândia o impressionante e triste derretimento de uma geleira do tamanho da ilha de Manhattan (NY).


 

Trump e o aquecimento global

Queridos, não escrevo há algum tempo. A correria do dia a dia tem atrapalhado um pouco. Vergonha. Ontem, na saída da aula de Yoga, as colegas de turma conversavam sobre o medo que Trump gera em muita gente, seja pela postura agressiva, pelo tratamento aos imigrantes ou então por suas convicções em relação ao meio ambiente. Saí de lá com a obrigação moral de comentar esse último ponto, que merece atenção e muita preocupação, em especial porque estamos falando do líder do segundo maior poluidor do planeta.

Bem, para o nosso pavor, Trump não acredita em aquecimento global. Uma vez ele escreveu em seu Twitter que esse conceito foi criado pelos chineses com o objetivo de tornar a indústria dos EUA não competitiva. As indicações, até o momento, são as piores possíveis.

Esta semana, Myron Ebell, conselheiro muito próximo ao presidente norte-americano e com uma fervorosa postura anti ambientalista, disse estar certo de que Trump se afastará do Acordo de Paris, no qual várias nações, inclusive os EUA, se comprometeram a executar ações para controlar o aquecimento global.

Ebell recebeu a incumbência, durante o período de transição, de escolher as equipes que iriam compor a agência de proteção ambiental do país (EPA). E escolheu: o órgão passou a ser liderado por Scott Pruitt, um advogado ativo na luta anti meio ambiente, que atuou contra as regulações ambientais criadas por Obama, defendendo empresas que integram setores altamente poluidores, como petróleo e carvão, por exemplo . E pasmem. Diversas dessas ações movidas por Puitt são contra a própria EPA. E a gente acha que conflito de interesses só acontece no Brasil. Isso é muito pior e o mundo todo assiste a essas barbaridades de camarote.

E não poderia ser assim, pois essa não é uma questão interna, dos EUA. O impacto desse tipo de política é global. Como o país conseguirá cumprir a sua meta firmada no Acordo de Paris de reduzir as emissões em 28% até 2025 (na comparação com 2005), se seus líderes acreditam que meio ambiente é pura perda de tempo e só serve para atrapalhar o desenvolvimento econômico? O mais provável é que Trump tente encontrar um meio para driblar e evitar o cumprimento desse objetivo. Tudo em nome do crescimento. E pelo jeito já está se movimentando neste sentido. Esta semana, Ebell teve um encontro no gabinete da primeira ministra inglesa, Theresa May. Ninguém sabe ao certo com quem ele falou e qual foi o objetivo da reunião. O que se comenta é a existência de uma eventual afinidade entre Trump e May.

Vamos ficar atentos. É o nosso mundo que está em jogo.

Foto: Pixabay


 

Novos investimentos em carvão mineral

Hoje, sexta-feira, dia 4 de novembro, entra em vigor oficialmente o Acordo do Clima de Paris, que tem como objetivo manter a elevação da temperatura da terra abaixo dos 2°C, limitando o aumento a no máximo  1,5°C. O acordo foi ratificado por 92 países, inclusive pelo Brasil, que se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37%, até 2025, e em 43%, até 2030, na comparação com os índices registrados em 2005. Só que na contramão deste compromisso, o Congresso Nacional aprovou no dia 19 de outubro a Medida Provisória 735, a MP do setor elétrico, que prevê em seu artigo 20 a implantação de novas termelétricas a carvão mineral, que entrem em operação entre 2023 e 2027.

Muito estranho isso, não? É possível que a assinatura de um compromisso internacional tenha sido uma jogada de marketing  e não uma preocupação genuína com o destino do Planeta ou o Congresso Nacional está totalmente perdido e não sabe ao menos quais são as fontes emissoras de gases de efeito estufa?  Total incoerência??? Estima-se que o carvão mineral seja responsável por quase 1/3 das emissões de CO2 globais. Atualmente, existem 23 términas movidas por este insumo no Brasil.

Alguns defensores da medida podem alegar desenvolvimento de regiões do país, onde a atividade impacta significativamente a economia de municípios. Infelizmente, acredito que com evolução da sociedade, caso a gente busque a perpetuidade do Planeta, algumas atividades precisarão ser eliminadas e outras devem surgir em seu lugar. Claro que no início é complicado, mas as pessoas podem se adaptar e criar novas formas de renda. Isso já aconteceu com vários setores e nem por isso vivemos hoje em condições muito piores das que vivíamos há 50 anos, por exemplo.

O presidente Michel Temer pode vetar a MP, atitude recomendada pelo Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Os ambientalistas estão pressionando o governo. A depender dos resultados desse impasse, podemos ter um indicativo melhor das reais intenções brasileiras em relação à questão climática global. Aguardemos os próximos capítulos, torcendo para que o país não regrida e sim invista em novas alternativas, cada vez mais importantes aqui e em outros lugares do mundo, como a energia eólica e a solar, por exemplo, sem falar das hidrelétricas, responsáveis por 80% da  geração no Brasil.

Imagem: Pixabay

Brasil ratifica acordo climático internacional


 

Em meio a tantas notícias negativas, esta semana tivemos um fato para comemorar. Na segunda, dia 12, o governo brasileiro ratificou o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. O projeto tinha sido aprovado pela Câmara dos Deputados em julho. Com isso, o Brasil se compromete a reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 37%, até 2025, e em 43%, até 2030, na comparação com os índices registrados em 2005. Agora, para que seja real, o próximo passo é a transformação do acordo em Lei, mas isso deve ocorrer apenas após começar a vigorar internacionalmente. Para isso, 55 países responsáveis por 55% das emissões de gases de efeito estufa devem ratificar o documento. Até o momento,  27 países geradores de 39,08% das emissões globais confirmaram.

O Acordo de Paris foi firmado em 2015, na França, durante a Conferência do Clima COP 21. Determina que os 195 países signatários desenvolvam ações para que a temperatura da Terra  sofra uma elevação abaixo de 2ºC, limitando o aumento em 1,5°C. Na próxima semana, os líderes globais que já se comprometeram com o acordo firmarão um compromisso público na sede da ONU, em Nova York, entre eles estarão os representantes da China e dos Estados Unidos, as duas nações que mais emitem gases de efeito estufa, 20,09% e 17,89%, respectivamente. O Brasil responde por apenas 2,48%. E o resultado das eleições nos Estados Unidos pode impactar de forma drástica o Planeta, já que, segundo dizem, Donald Trump não acredita no aquecimento global. Sinal muito ruim.

Voltando ao Brasil, para que o país alcance esses objetivos, precisará aumentar a participação de fontes renováveis na matriz energética, zerar o desmatamento da Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. A meta é ambiciosa, mas precisa ser cumprida. Provavelmente este ano será o mais quente da história, e o verão de 2017 promete. Espero que essa ratificação seja genuína e não uma ação reputacional do governo. Vamos acreditar nisso. Além disso, o nosso compromisso não menciona a base de 2005 que será utilizada, informação importante, já que existem divergências no cálculo que podem gerar variações de até 25%. Como indicam os números, a responsabilidade do Brasil no bolo total é pequena, mas os impactos aqui são significativos. É o Planeta mostrando como dependemos uns dos outros.


 

Poluição orgânica e patogênica de rios aumenta 50%

Nas últimas semanas tenho estado um pouco ausente. A correria do dia a dia vem comprometendo a minha rotina de posts. Queria retomar a nossa conversa neste espaço com um tema positivo, mas infelizmente a notícia é muito negativa. De acordo com um relatório divulgado ontem pela ONU (UN Environment), a poluição orgânica e patogênica de rios cresceu mais de 50% na América Latina, África e Ásia entre 1990 e 2010. Isso faz com que o risco de contaminação por doenças causadas por organismos presentes na água aumente significativamente, seja pelo contato direto ou indireto, por meio dos alimentos, por exemplo. E como não poderia ser diferente, as pessoas com menos recursos financeiros são as mais afetadas neste contexto, pois estão mais expostas ao risco.

Por intuição, já poderíamos imaginar que a poluição dos rios é maior hoje do que há 20 anos – sabemos que grande parte da população não tem acesso aos sistemas básicos de saneamento, que não são utilizadas as melhores tecnologias para limpeza das águas e que o Planeta segue crescendo. Segundo a ONU, esse cenário é resultado da expansão populacional, do aumento da atividade econômica, da intensificação da agricultura e da ampliação da quantidade de esgoto lançado no ambiente. Na América Latina, a poluição patogênica grave gerada pela descarga de resíduos não tratados afeta um quarto dos rios da região e 25 milhões de pessoas estão expostas ao risco de contaminação. Atualmente, cerca de 3,4 milhões morrem no mundo por ano de doenças relacionadas a esses agentes patogênicos, tais como a cólera, a febre tifóide, a hepatite infecciosa, a poliomielite, as diarreias, entre outras.

E é possível melhorar essa situação. Hoje, já existem tecnologias que podem reduzir a poluição, incluindo sistemas mais avançados de tratamento, reciclagem do insumo e monitoramento do processo. No Vale do Silício (EUA), por exemplo, foi instalado o Centro Avançado de Purificação de Água, que recicla o esgoto e a urina.  É um processo que envolve uma centrífuga para separar as  impurezas, microfiltração, osmose e raios ultravioletas, tornando essa água mais limpa que a potável tradicional.

No Brasil, estamos em uma etapa anterior a esta de melhorar as tecnologias de tratamento e não conseguimos nem ao menos disponibilizar rede de esgoto para a população. O cenário é assustador, segundo o Instituto Trata Brasil: mais de 100 milhões de brasileiros não têm acesso ao serviço de coleta, uma vergonha para um país como o nosso, com incontestável significância política e econômica. Em volume, as capitais brasileiras lançaram 1,2 bilhão de metros cúbicos de resíduos na natureza em 2013. O custo de décadas de inércia é elevado:  seriam necessários R$ 303 bilhões em 20 anos para a universalização da água e do esgoto!

(Foto: Pixabay)


 

Tinta ilumina por até 12 horas

Como comentei no último post, participei na semana passada de um evento sobre mudanças climáticas que reuniu empresários europeus com tecnologias nesta área e brasileiros que têm interesse no assunto. Lá tive a oportunidade de conhecer algumas soluções muito interessantes com foco em energia eficiente, tema deste primeiro encontro. Vou compartilhar com vocês, em alguns posts, produtos que ainda não são vendidos aqui, mas que devem ingressar no nosso mercado em breve.

A EnerPaint, empresa com sede no Reino Unido, apresentou uma tinta que absorve a energia solar ou outra fonte de luz e, a partir desse processo, ilumina um ambiente por até doze horas. A inovação utiliza a tecnologia fotoluminescente, que “carregada” durante cerca de dez minutos consegue gerar esse efeito. A luz emitida tem cor verde ou turquesa.

Este produto pode ser aplicado em diversos tipos de lugares, mas a aposta da empresa são as rodovias e os aeroportos, que pintados com esta tinta podem gerar energia própria, o que aumenta a segurança dos usuários  a partir de um baixo impacto ambiental. De acordo com a empresa, cada luz de rua gasta em média, por ano, 800 kWh. Considerando que no mundo existem cerca de 280 milhões lâmpadas de ruas, anualmente o consumo atinge 224 tWh, o que equivale a emissão de gases de efeito estufa de 33,2 milhões de carros de passeio utilizados por um ano.