Todos os post de Fernanda Arimura

Sou jornalista e cidadã preocupada com os rumos do planeta

Projeto para ampliar a sustentabilidade de empresas

Vez ou outra encontramos aqui no Brasil ideias muito boas para reduzir o nosso impacto no mundo. E eis aqui um exemplo. Por meio do projeto Low Carbon Business Action in Brazil (LCBA), a União Europeia criou um programa para ampliar a sustentabilidade ambiental, assim como a competitividade de Pequenas e Médias empresas brasileiras. A partir de rodadas de negócios, chamadas de Missões de Matchmaking, esses empreendimentos têm contato com companhias europeias que já possuem tecnologias sustentáveis. Com isso, o objetivo é que durante essas missões acordos de cooperação sejam firmados, os quais serão acompanhadas pela própria União Europeia durante as etapas de formulação dos projetos conjuntos e de apresentação das propostas de financiamento.  Muito bom, não é? E eu, para minha alegria, estou contribuindo um pouquinho com esta ação, como Relações Públicas, na organização das missões.

O primeiro desses encontros ocorre entre os dias 8 e 12 de agosto em São Paulo e terá como foco o aumento da eficiência energética em edificações. Participarão 17 empresas europeias e 38 brasileiras. O programa de Missões de Matchmaking compreende um total de oito encontros empresariais até o final de 2017, visando envolver PMEs das áreas de Atividades Florestais, Agricultura, Processos Industriais, Produção e Consumo de Energia, Biomassa, Gestão de Resíduos Sólidos e Aquicultura, além de Eficiência Energética em Edificações e na Indústria. A expectativa é que as oito Missões gerem até 80 acordos de cooperação bilateral.  Se o planejado ocorrer, certamente as pequenas e médias empresas do Brasil darão um passo importante para uma economia de baixo carbono.

(foto:Pixabay)


 

CO2 vira pedra em apenas dois anos

Imagine transformar o dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera em pedra? Incrível e maravilhoso, não é? Esta tecnologia já existe e está sendo testada na Islândia. Considerando que o CO2 é um dos principais gases causadores do efeito estufa e, consequentemente, do aquecimento global, uma descoberta como esta pode ajudar na reversão deste cenário tão perigoso para o Planeta.

O projeto CarbFix captura e armazena o carbono, o que já vem sendo feito em alguns lugares do mundo, como no Canadá, por exemplo. A diferença é que, segundo artigo publicado pela revista Science, os cientistas verificaram a transformação do carbono em pedra em apenas dois anos, um tempo considerado extremamente curto para os padrões conhecidos. Esse novo processo apresenta resultados permanentes e não paliativos ou suscetíveis a algum acidente. No método existente até então, o CO2 era injetado em forma gasosa ou líquida no subsolo, gerando o risco de escapar para o meio ambiente e demandando a necessidade de um monitoramento constante por até séculos.

A CarbFix dissolveu o CO2 em água, aplicando-o em rochas vulcânicas, chamadas basálticas, que possuem cálcio, magnésio e ferro, substâncias que reagem com o carbono. E, segundo a iniciativa, essas rochas são encontradas em várias regiões do mundo, compondo os solos dos oceanos, por exemplo. Somando essa característica ao fato de o processo de conversão em pedra ser relativamente rápido e demandar menos monitoramento e menos investimentos, essa descoberta abre caminho para a replicação da tecnologia em uma escala global.

Mais uma opção está sendo apresentada. Agora a bola está com os governos e com a iniciativa privada.

(Foto:Pixabay)


 

Curitiba terá ciclovia que gera energia

Escrevi esses dias sobre ideias inovadoras com viés de sustentabilidade. No post, mencionei várias invenções, entre elas um sistema instalado no chão de rodovias e avenidas que gera eletricidade. E eis que um projeto semelhante será desenvolvido no Brasil, mais precisamente em Curitiba.  A tecnologia será colocada nos pisos das ciclovias e transformará o som e a vibração das bicicletas em energia, que acionará a sinalização luminosa nos cruzamentos da ciclovias com as ruas e avenidas e abastecerá os sensores de coleta de informações de fluxo.

O projeto será iniciado já neste segundo semestre e deve abranger 18,5 quilômetros. Além de estimular o uso de bicicletas e introduzir um novo modelo de geração de energia no Brasil, a iniciativa não trará custos para a prefeitura de Curitiba, já que faz parte de um acordo financiado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e pelo  ministério da indústria do país asiático, que querem estimular a expansão da tecnologia, criada pela empresa japonesa Soundpower Corporation.

É muito bom ver um projeto como este sendo testado no Brasil e, mais importante ainda, saindo do papel e ingressando na fase de execução. Ações como estas podem ser expandidas para outros lugares, além de estimular os empreendedores a desenvolver tecnologias com foco em sustentabilidade. Um ambiente dinâmico e produtivo é construído por meio de exemplos positivos, e quando esses modelos indicam um abordagem totalmente diferente e voltada para os desafios da humanidade, melhor ainda.

Tenho a impressão que estamos evoluindo, e uma nova geração de empreendedores que buscam aliar tecnologia e sustentabilidade está surgindo no Brasil. E tem contribuído para este avanço o fato de que investidores estão direcionando seus recursos para projetos que gerem lucro e benefícios sociais e ambientais, ou seja, procuram os chamados Investimentos de Impacto. No Brasil, já existem inclusive aceleradoras para este tipo de empresa, como a Artemisia, por exemplo. A organização formata o modelo de negócios, oferece mentoria e capacitação das equipes, além de promover conexões com investidores e potenciais parceiros. A Artemísia já apoiou 79 empresas. E que venham muitos projetos assim!

(foto: Pixabay)


 

Uma luz no fim do túnel

No final da década de 80, início dos anos 90, muito se falava sobre o aerossol e como o seu uso era prejudicial à camada de ozônio. Neste caso, a ação foi rápida e  políticas públicas consistentes eliminaram a tecnologia. E agora estamos colhendo os bons frutos desta mudança, segundo estudo publicado há alguns dias pela revista científica Science. De acordo com pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) que conduziram as pesquisas, o buraco na camada de ozônio sobre a Antártica está encolhendo!!!

É isso mesmo. Uma ótima notícia para a continuidade da vida no planeta, já que a camada de ozônio protege animais, plantas e seres humanos dos raios ultravioletas emitidos pelo Sol, que poderiam acabar com todos os seres vivos do Planeta Terra. Esses buracos sobre a Antártica estão sendo acompanhados desde o final da década de 70, e, mais uma vez, o homem era o principal vilão nesta história, especialmente pela utilização dos clorofluorcarbonetos, ou CFCs, encontrados no aerossol, e também em aparelhos de refrigeração, solventes, entre outros. Assim, em 1987, diversos países assinaram o Protocolo de Montreal, comprometendo-se a eliminar, em 10 anos, o uso dessa substância danosa, acordo visto por muitos como o mais bem-sucedido da história.

O estudo aponta que o buraco na camada de ozônio foi reduzido em 4 milhões de quilômetros quadrados, área equivalente a 47% do território brasileiro. Deveríamos rezar para que este mesmo engajamento fosse visto em relação ao aquecimento global. É claro que este segundo tema é muito mais complexo e exige mudanças em diversos itens, inclusive no comportamento das pessoas. Vamos torcer para que esta conquista sirva de estímulo e mostre como organização e boa vontade podem gerar muitas coisas positivas.

(Foto: Pixabay)



 

Vegetais cultivados em prateleiras

Continuando a falar sobre tecnologia e sua contribuição para o Planeta e para o ser humano. Se por um lado, uma vida mais simples pode reduzir o nosso impacto, por outro, não podemos ignorar que o mundo segue crescendo e ainda existe muita gente sem ter o que comer. Nesse sentido, a inovação pode contribuir.

Segundo a ONU, 925 milhões de pessoas passam fome e até 2050,  20% da população mundial pode fazer parte deste grupo. Solos degradados, temperaturas extremas, fenômenos naturais intensos, redução da produção e aumento dos preços.

Somam-se a isso, a expansão do consumo, pois a população vai aumentar, e o desperdício de comida, que chega a 1/3 de toda a produção. Para a ONU, se o consumo continuar crescendo no nível atual, em 2050 precisaremos de 60% mais comida, o que exigirá 50% mais energia e 40% mais água. E a agricultura é o setor que mais gasta água no mundo, um recurso cada vez mais escasso. Estima-se que 70% da água utilizada no Planeta é destinada para irrigações.

E aqui entra a tecnologia para amenizar esses problemas.  Uma empresa de Nova Jersey (EUA), a AeroFarms, produz legumes e verduras sem luz solar ou terra, em um galpão ocupado no passado por uma siderúrgica. É uma fazenda vertical! E os planos são audaciosos: a companhia quer levar o modelo para várias outras regiões do mundo. Este tipo de produção não depende do clima, possui produtividade 75% maior que a obtida no sistema convencional, usa 95% menos água e metade dos fertilizantes e não demanda defensivos. Os alimentos são semeados em um material feito com garrafas de plástico, cultivados em bandejas e iluminados por lâmpadas LED.  As bandejas ficam em prateleiras dispostas umas sobre as outras, o que exige menos espaço. Um ponto negativo: a solução consome energia, mas que pode ser minimizado com a evolução deste segmento – energia eólica, energia solar, biomassa.

Espero que em um futuro próximo, ampliem essa forma de plantio ou criem outras alternativas para culturas de escala, como grãos, por exemplo. Uma prova de que a tecnologia, quando bem utilizada, pode ser uma aliada. E se a sociedade começar a demandar esse tipo de inovação, veremos cada vez mais soluções criativas e alinhadas ao bem-estar da humanidade, não só na agricultura, mas em diversos setores da economia. Assim é a lei do mercado.

Aerofarms fazenda vertical
Fazenda vertical (foto: AeroFarms)

(Foto: Pixabay)


 

Inovações sustentáveis e curiosas

A tecnologia pode ser uma grande aliada do meio ambiente. Confira algumas soluções inovadoras, úteis e sustentáveis.

Garrafa que transforma ar em água

Isso mesmo. A inovação chamada Fontus foi desenvolvida por um estudante de Viena, Kristof Retezár. São dois modelos: um que utiliza a corrente de ar produzida com o movimento da bicicleta para apoiar um refrigerador que condensa a água contida no ar; e um outro que vem com um pequeno painel solar acoplado à garrafa, o qual permite que a energia gerada recupere a água do ambiente.

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Tecnologia capta energia produzida pelos carros

A Lybra foi criada pela empresa italiana Underground Power. O sistema é instalado no chão de rodovias e avenidas, em locais onde espera-se uma redução de velocidade. Por isso, o mecanismo consegue recuperar a energia cinética desperdiçada durante a desaceleração. Essa energia pode ser utilizada localmente ou transferida para a rede.

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Lavar roupa pode ajudar a perder peso

Esta máquina, idealizada por estudantes da Dalian Nationalities University, da China, é movida pela energia das pedaladas. O pneu da frente da bicicleta foi substituído pelo tambor da lavadora. O nome da belezura, BWM (Bike Washing Machine).

bicicleta

 

Piso que gera energia

A Pavegen, empresa do Reino Unido, criou um piso que produz energia, e a tecnologia está sendo utilizada no Brasil. Um campo de futebol construído no Morro da Mineira, no Rio de Janeiro, recebeu as placas. Quando os jogadores correm pelo campo geram a energia que ilumina o estádio. O sistema pode ser instalado em calçadas e espaços onde circulam muitas pessoas.

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Casa de papelão

A Wikkelhouse, da Holanda, desenvolveu uma casa cuja principal matéria-prima é o papelão. Ela é formada por módulos, tem um design lindo e pode ser montada no local em apenas um dia. São 24 camadas de papelão, revestidas com material resistente à água, que tornam a construção durável – o fabricante garante que aguenta até 100 anos – e com alta capacidade de isolamento.

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Iluminação pública com energia híbrida

Esta tecnologia híbrida para iluminação de espaços públicos já vem sendo utilizada na China. As luminárias são movidas a energia solar e eólica, e possuem suas próprias placas e turbinas.

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Vidros transparentes geram energia solar

A inovação, da Polysolar, da Inglaterra, permite integrar essa nova placa solar, feita com vidro transparente, às construções.  São utilizadas em fachadas e telhados.

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Energia renovável cresce no mundo

Na noite passada fiquei assustada com o temporal que assolou a região de Campinas, onde vivo. Foram ventos horríveis, granizo, árvores arrancadas, postes derrubados, casas destelhadas, avenidas interditadas.  Um cenário realmente assustador. Moro aqui desde o final de 2012 e recentemente, há umas duas, três semanas, presenciei a pior tempestade desde que me mudei. Ontem vi outra, mais intensa, e me pergunto: será que a tendência é piorar a cada dia? Espero que não, embora sem muita convicção de que minhas expectativas serão atendidas. E essas tempestades não estão ocorrendo no verão, época propícia para este tipo de fenômeno, mas no outono.

Essa mudança de comportamento da natureza me deixa muito preocupada e triste também, ainda mais neste período, que comemoramos a Semana do Meio Ambiente. Enfim… Ok, vamos tentar ver a luz no fim do túnel. Um relatório que acabou de ser divulgado, o  REN21’s Renewables Global Status Report (GSR), aponta que a utilização de energia e combustível renovável no mundo foi recorde em 2015.

Os novos investimentos na área cresceram de US$ 273 bilhões em 2014 para US$ 285,9 bilhões e a capacidade total, excluindo hidrelétricas, passou de 665 gigawatts para 785 gigawatts, um aumento de 18%. E essa expansão foi liderada principalmente por energia solar (+28%) e eólica (+17%). O número de países com políticas neste campo também evoluiu de 164 para 173.  E pela primeira vez na história, o investimento total das nações em desenvolvimento em energia e combustível renovável excedeu o de economias desenvolvidas, atingindo a marca de US$ 156 bilhões (+19%).

(foto: Pixabay)

IBGE passará a medir consumo de água

Na Semana do Meio Ambiente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de anunciar uma boa notícia. No segundo semestre deste ano, o órgão divulgará quanto cada atividade econômica, cada produto ou cada pessoa consome de água. Em um segundo momento serão calculados os impactos em relação à energia, às florestas e ao uso da terra.

Este é um importante passo para a redução do consumo e para a utilização mais consciente do insumo. Acredito realmente que fica mais fácil levar adiante uma mudança quando sabemos onde estamos e onde queremos chegar.  O IBGE segue um padrão para levantamento das contas ambientais estabelecido em 2012 pela ONU, e há quatro anos trabalha em conjunto com a Agência Nacional de Águas neste projeto. Segundo a instituição, apenas Brasil, Austrália, Colômbia e Canadá encontram-se em estágio mais avançado neste quesito.

Por outro lado, o consumo diário de água no Brasil é de 166 litros por pessoa, 50% acima dos 110 litros recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Além disso, temos um grande problema, a ineficiência no sistema de distribuição. Atualmente, o índice de desperdício por vazamento gira em torno de 37%. Em alguns estados a situação é ainda pior. No Acre, por exemplo, as perdas chegam a 60%!

(foto: Pixabay)


 

Somos todos responsáveis

Muitos brasileiros ficaram enojados e revoltados com o estupro coletivo que ocorreu esta semana no Rio de Janeiro. Foram 30 homens contra uma mulher. Covardia, violência, barbárie. Podemos preencher esta página só com palavras negativas que tentam descrever este triste episódio. Eu vejo isso, primordialmente, como falta de respeito e consideração pelo próximo. Essa falta de respeito e consideração aparece em vários momentos da nossa vida, seja no trânsito, no trabalho, na escola, nas ruas, ou seja, na maioria das interações diárias, em situações corriqueiras, mas infelizmente, algumas vezes, é exteriorizada em circunstâncias extremas, como esta. E neste caso horrível, a falta de respeito e consideração foi potencializada pelo fato de a vítima ser uma mulher, alvo constante em uma sociedade machista.

E esse tipo de comportamento não está longe da gente, até porque nós o praticamos sem perceber. E sem perceber, as pessoas transformam, cada vez mais, o mundo em um lugar onde o eu prevalece, onde não existe o bem-estar do outro, onde nos fechamos na nossa realidade e a da nossa família e tudo o que está fora disso não merece o mesmo respeito e consideração. Dessa forma, vivemos alienados, achando que esse mundo exterior não pode nos alcançar e nos ferir também. Bobos, acreditamos que a nossa redoma nos protegerá e, pior, que não fazemos parte dessa bagunça toda. Pura ilusão. Achamos que o diabo é o outro e nos esquecemos o quanto contribuímos diariamente para fomentar esse comportamento social egoísta.

A situação do Planeta nada mais é do que resultado desse nosso egocentrismo e falta de consideração com o próximo. Estamos destruindo o nosso mundo, mas continuamos reclamando e culpando o outro pelas catástrofes. A corrupção no Brasil segue a mesma lógica. Somos honestos, mas o povo em Brasília rouba. O que quero dizer é que comportamentos ruins acabam gerando situações nocivas. É hora de repensar nossas atitudes, pois, no final, tudo faz parte do mesmo ecossistema e a conta pode ser cara.

(foto:Pixabay)


 

Os meses mais quentes da história

Gente, a temperatura está subindo. Não podemos ignorar os alertas. O mundo teve os últimos 12 meses mais quentes da história, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. Isso mesmo. Todos esses meses atingiram recordes. Em abril de 2016, a temperatura foi 1,1°C maior que a média obtida no século XX. E hoje vi uma notícia que me deixou assustada. Phalodi, uma cidade no Norte da Índia, apresentou ontem, dia 19 de maio, a maior temperatura já vista no país, 51°C, batendo a marca anterior de 50,6°C .

Sei que o tema não é animador para um final de semana, mas o considero importante para provocar reflexão e ação. E sim, precisamos de políticas e investimentos públicos e de iniciativas concretas por parte das empresas.

Só para lembrar, o aquecimento global pode gerar diversos tipos de desastres naturais e situações extremas, como secas, inundações, tempestades, incêndios e ondas de calor. A tendência é piorar as condições de regiões secas e úmidas, ampliando essas características até tornar esses locais inabitáveis. Não podemos deixar isso acontecer. É nosso dever preservar o planeta para as gerações futuras.