Todos os post de Fernanda Arimura

Sou jornalista e cidadã preocupada com os rumos do planeta

Mais plástico do que peixes nos oceanos

poluição nos oceanos
foto: wonderfulengineering.com

Foto: wonderfulengineering.com

É mais do que óbvio que precisamos reduzir o consumo de plástico, mas eliminar o seu uso é impossível hoje, já que dependemos dele em nossa vida – eletrônicos, brinquedos, utilidades da cozinha, tudo tem plástico. Eu li recentemente uma informação alarmante. De acordo com um estudo da Ellen Macarthur Foundation divulgado no início deste ano, se o consumo crescer conforme o nível projetado e nada for feito, em 2050 a poluição nos oceanos chegará a um nível assustador e encontraremos nos mares mais plásticos do que peixes. É isso mesmo. Estima-se que a produção do material quadruplique até 2050. E, apesar de todas as campanhas e propagandas, segundo a organização, quase todos os plásticos produzidos hoje no mundo são utilizados apenas uma vez – 14% são coletados e 10% reciclados.

E junto com o plástico vem outro problema: o petróleo, matéria-prima para a sua produção. Por ser um combustível fóssil presume-se que a sua queima tenha uma relação direta com as mudanças climáticas. Existem alternativas, como a produção de plástico a partir de matérias-primas renováveis, que se decompõem mais rápido, como a cana-de-açúcar, a mamona, o milho, o óleo de girassol… Mas o custo é elevado e a produção ainda é pequena. Aliás, a questão econômica é outro empecilho. Quando o preço do petróleo está baixo, por exemplo, cai o nível de reciclagem.

Por isso, consumidores mais exigentes e conscientes do seu papel social podem mudar essa dinâmica. Na hora de escolher um produto, podemos optar pelo sustentável, mesmo que o seu custo seja um pouco mais elevado. Assim, mostramos para as empresas que existe mercado para a sustentabilidade. Além disso, não podemos esquecer do mantra: reduzir consumo, optar por itens com menos embalagens, utilizar um bem até o seu fim, buscar uma destinação correta.  E, claro, precisamos de políticas governamentais. Mas uma coisa não elimina a outra.


 

Kit rua

Muitas vezes algumas pequenas mudanças podem gerar grandes benefícios. Basta olhar para o nosso dia a dia que identificamos várias possibilidades. Quantas embalagens desnecessárias utilizamos, e depois as descartamos em lixeiras espalhadas pelas ruas ou em casa mesmo? Poderíamos poupar muito com um pouco de planejamento. Que tal começarmos a andar com um pequeno kit? Uma sacola retornável, uma garrafa – para a água que leva de casa ou para um suco ou um café que comprar durante do dia –  e, eventualmente, uma bolsinha ou um pote para um lanche.

No início é difícil, e falo por experiência própria, mas acho que com o tempo assumimos essa atitude como um hábito. A partir daí tudo fica mais fácil. Ainda não me acostumei, mas logo vou conseguir. E a mudança começa em casa. Para montar o seu kit rua faz mais sentido que os alimentos sejam comprados em porções maiores, assim como a água que pode ser filtrada ou de galões de 20 litros. Dá para perceber que esse tipo de comportamento é mais saudável. Evitamos, por exemplo, comer aquela fritura maravilhosa para os olhos quando a fome aperta.

É mais fácil esse hábito ser adquirido por mulheres, pois sempre saímos com uma bolsa. Agora os homens precisariam passar a utilizar uma mochila. Mas, no final, esse pequeno esforço vale a pena. Veja quantos benefícios: reduz a geração de lixo, você gasta menos e se alimenta melhor.

kit rua sacola retornável kit rua kit rua


 

Telhas de PET

telhas de PET
As garrafas PET transformadas em telhas
telhas de PET
As garrafas projetadas têm um formato especial

Pessoal, olha que genial. Um empreendedor canadense, Donald Thomson, que vive há muitos anos na Costa Rica, descobriu um novo uso para as garrafas PET de água. Ele criou uma empresa de água mineral, a Agua Costa Rica, e uma forma de reutilização que não dá à embalagem o mesmo fim que já possuía, mas sim possibilita que ela tenha uma nova função: nada mais nada menos do que telhas de PET para residência. E por ser um material barato, a iniciativa também tem um fim social, pois pode contribuir para melhorar as condições de vida da população mais carente. Incrível, não é?

Com um formato especial, essas garrafas, depois de utilizadas, são prensadas manualmente e podem ser preenchidas com material isolante acústico ou térmico. Os estudos para o uso das telhas de PET são conduzidos por uma organização, também criada pelo empresário, chamada Center for Regenerative Design & Collaboration (CRDC).

 

O lixo é nosso

separação do lixo
Somos responsáveis pelo lixo que geramos

A responsabilidade pelo lixo que geramos é essencial quando queremos ter uma vida mais consciente. Precisamos deixar de lado aquele discurso básico: “pagamos impostos e, por isso, o governo deve fazer tudo por nós”.

É nosso dever sim fazer a separação do lixo e buscar, caso não haja coleta seletiva em nosso endereço, um local adequado para depositar todo esse material. No site da prefeitura da sua cidade você pode conseguir algumas informações. Como cidadão vá atrás. Afinal, o planeta não é só do prefeito. Estamos todos no mesmo barco.

É claro que o Brasil poderia ser mais rigoroso com a reciclagem. Políticas de separação do lixo e, depois, reutilização desse material e regulamentação para a indústria que fabrica o produto que no futuro irá para os aterros são itens que já deveriam existir efetivamente. Temos uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, que institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos, mas pouca coisa saiu do papel até agora.

Acho bem interessante, e curioso, o sistema utilizado em Taiwan, que divide a responsabilidade pelo lixo com a população e com as empresas. Claro que engajamento, infelizmente, começa com regras claras, acompanhamento, multas. Lá os lixos são separados em 13 categorias e para cada tipo há procedimentos diferentes e regras especiais de como descartar. Não é só colocar em um saco. Para descartar um resíduo volumoso, por exemplo, a pessoa deve entrar em contato com a prefeitura ou com o departamento de meio ambiente. Já os recicláveis – papel, vidro, alumínio, plástico, pneu, entre outros – possuem muitos tipos de descarte: apresentar para a equipe de saneamento, depositar em estações de reciclagem, levar para centros de reciclagem, lavar, armazenar na embalagem original, colocar em embalagens que não corroem. O mesmo ocorre com os orgânicos, devem ser colocados em caixotes de reciclagem fornecidos pela equipe de saneamento. Agora os resíduos que não fazem parte dos três grupos mencionados devem ser entregues à equipe de saneamento em embalagem especial e o dono paga uma taxa, que varia de acordo com o volume.

Resumo da história. Se você acha muito separar os recicláveis dos não recicláveis, lembre-se do exemplo de Taiwan. Rapidinho você se engaja.

Gasto muita energia?

A geração de energia elétrica impacta o meio ambiente e, dependendo da fonte geradora, possui elevado nível de emissão de gases de efeito estufa. Isso ocorre principalmente com as termoelétricas a base de carvão e gás natural. No Brasil, cerca de 80% da energia utilizada vem de hidrelétricas. Neste caso, há impactos social (nas comunidades do entorno) e ambiental decorrentes do represamento de rios. Além disso, essa fonte de energia é totalmente dependente das condições climáticas.

Existem alternativas que vem sendo utilizadas no mundo, e no Brasil também, embora em escalas ainda muito pequenas. Entre elas estão a energia eólica, a energia solar e as usinas de biomassa. Recentemente a Tesla, empresa conhecida no segmento de carros elétricos, anunciou uma bateria que armazena energia obtida por meio de painéis solares para ser usada em momentos mais oportunos, como no período da noite, por exemplo, quando geralmente sobe o consumo.

Até que esse tipo de energia limpa não chegue até a sua casa você tem a opção de reduzir a utilização. Acredito que para planejar qualquer coisa precisamos primeiramente entender como estamos. Assim, conseguimos mudar. Dessa forma, testei alguns aplicativos gratuitos que calculam o consumo de energia, do Brasil e do exterior. Gostei de dois. Na minha opinião foram os mais práticos e fáceis de usar. São eles Consumo e Consumo de Energia .

consumo de energia

consumo de energia
Aplicativos gratuitos que calculam o consumo de energia