Obsolescência Programada

Feitos para estragar

Produtos que saem das fábricas já concebidos para não durar muito. Obsolescência Programada é uma estratégia de negócios iniciada nos anos 20 para ampliar as vendas, mas que hoje já deveria ter sido colocada em desuso. Isso porque sabemos que o nosso Planeta tem limites.  Infelizmente, pouca coisa mudou. Comprei há alguns anos uma impressora da HP, que imprimia, tirava cópias e escaneava. Uma super impressora! Recentemente fui assaltada e levaram o computador com o programa do equipamento. Ok, instalei o software em outra máquina. Tudo certo? Não. Concluí a instalação, mas não havia comunicação entre o computador e a impressora. Fiz testes em dois outros computadores, utilizando também o programa disponibilizado no site da fabricante para o modelo. Sem sucesso… Resolvi procurar o serviço de suporte da HP – o atendente me explicou que não poderia me ajudar, pois o canal não tratava de equipamentos mais antigos. Liguei para uma loja. Também não consegui solucionar o meu problema. Fui instruída a falar com o SAC da HP, o qual me informou que nada podia fazer. Ou seja, tenho em casa uma impressora de 2008, pouco usada e que aparenta ser quase nova, mas que não funciona. Não tive coragem de comprar outra. Sigo com a esperança de resolver esse problema.

A Obsolescência Programada é um tema muito sério e não abrange apenas impressoras, mas eletrônicos em geral,  lâmpadas, eletrodomésticos, celulares, tablets, entre diversos outros produtos. Existe um documentário um pouco antigo, de 2011, mas bem interessante, que aborda o assunto. Sugestão da leitora Ariana. Vale a pena assistir. O vídeo mostra diversos exemplos de como a indústria vem conduzindo essa estratégia ao longo de décadas. Entre eles cita o caso das lâmpadas, que em 1924 tinham vida útil de 2500 horas, quando os fabricantes fizeram um cartel e decidiram reduzir esse tempo para aumentar o lucro. Quem não cumprisse, recebia multa. Com isso, iniciou-se um processo de diminuição do tempo de utilização e, em 1940, esse limite caiu para mil horas.

Existem também outros tipos de truques empregados, como o desenvolvimento de itens com desenhos cada vez mais encantadores para seduzir o consumidor e estimulá-lo a comprar mais, mesmo sem necessidade, quando ainda tem em casa um produto semelhante e utilizável. Nesse documentário, Warner Philips, fundador da empresa de lâmpadas LED Lemnis Lighting e cuja família criou a gigante Philips, diz que “não há um mundo ecológico e um mundo dos negócios”. Para refletir.

Li neste mês que a Fundación FENISS (Fundação de Energia e Inovação Sustentável sem Obsolescência Programada), de origem espanhola, lançou o ISSOP (Inovação Sustentável Sem Obsolescência Programada), que certifica os produtos que não usam essa estratégia de negócios. É importante que fique de olho, pois espero que em breve as empresas comecem a aderir a esse novo padrão, o que facilitará a nossa escolha. Enquanto esse selo não chega, sugiro que pense dez vezes antes de descartar algum bem e comprar outro. Eu seguirei buscando na internet alguma solução para a minha impressora…


 

CompartilheShare on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *