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Brasil ratifica acordo climático internacional


 

Em meio a tantas notícias negativas, esta semana tivemos um fato para comemorar. Na segunda, dia 12, o governo brasileiro ratificou o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. O projeto tinha sido aprovado pela Câmara dos Deputados em julho. Com isso, o Brasil se compromete a reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 37%, até 2025, e em 43%, até 2030, na comparação com os índices registrados em 2005. Agora, para que seja real, o próximo passo é a transformação do acordo em Lei, mas isso deve ocorrer apenas após começar a vigorar internacionalmente. Para isso, 55 países responsáveis por 55% das emissões de gases de efeito estufa devem ratificar o documento. Até o momento,  27 países geradores de 39,08% das emissões globais confirmaram.

O Acordo de Paris foi firmado em 2015, na França, durante a Conferência do Clima COP 21. Determina que os 195 países signatários desenvolvam ações para que a temperatura da Terra  sofra uma elevação abaixo de 2ºC, limitando o aumento em 1,5°C. Na próxima semana, os líderes globais que já se comprometeram com o acordo firmarão um compromisso público na sede da ONU, em Nova York, entre eles estarão os representantes da China e dos Estados Unidos, as duas nações que mais emitem gases de efeito estufa, 20,09% e 17,89%, respectivamente. O Brasil responde por apenas 2,48%. E o resultado das eleições nos Estados Unidos pode impactar de forma drástica o Planeta, já que, segundo dizem, Donald Trump não acredita no aquecimento global. Sinal muito ruim.

Voltando ao Brasil, para que o país alcance esses objetivos, precisará aumentar a participação de fontes renováveis na matriz energética, zerar o desmatamento da Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. A meta é ambiciosa, mas precisa ser cumprida. Provavelmente este ano será o mais quente da história, e o verão de 2017 promete. Espero que essa ratificação seja genuína e não uma ação reputacional do governo. Vamos acreditar nisso. Além disso, o nosso compromisso não menciona a base de 2005 que será utilizada, informação importante, já que existem divergências no cálculo que podem gerar variações de até 25%. Como indicam os números, a responsabilidade do Brasil no bolo total é pequena, mas os impactos aqui são significativos. É o Planeta mostrando como dependemos uns dos outros.


 

Os meses mais quentes da história

Gente, a temperatura está subindo. Não podemos ignorar os alertas. O mundo teve os últimos 12 meses mais quentes da história, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. Isso mesmo. Todos esses meses atingiram recordes. Em abril de 2016, a temperatura foi 1,1°C maior que a média obtida no século XX. E hoje vi uma notícia que me deixou assustada. Phalodi, uma cidade no Norte da Índia, apresentou ontem, dia 19 de maio, a maior temperatura já vista no país, 51°C, batendo a marca anterior de 50,6°C .

Sei que o tema não é animador para um final de semana, mas o considero importante para provocar reflexão e ação. E sim, precisamos de políticas e investimentos públicos e de iniciativas concretas por parte das empresas.

Só para lembrar, o aquecimento global pode gerar diversos tipos de desastres naturais e situações extremas, como secas, inundações, tempestades, incêndios e ondas de calor. A tendência é piorar as condições de regiões secas e úmidas, ampliando essas características até tornar esses locais inabitáveis. Não podemos deixar isso acontecer. É nosso dever preservar o planeta para as gerações futuras.

Propósito

Em momentos da vida encontramos pessoas muito apaixonadas pelo que fazem, e seu entusiamo transforma o nosso dia e gera uma vontade de mudar. Isso aconteceu comigo no último sábado, quando visitei pela primeira vez uma feira de orgânicos em minha cidade. Conheci lá o Carlos e sua esposa, que cultivam e vendem vegetais. Conversamos durante um bom tempo e pude perceber nos olhos, gestos e fala dos dois algo muito raro hoje, propósito. O propósito move esses felizardos e contribui para que consigam engajar e encantar outras pessoas. Eles me explicaram sobre a energia das plantas, espécies que afastam insetos, formas de plantio, entre outras coisas. Só sei que voltei para casa renovada, alegre mesmo pela oportunidade de aprender com o casal.

Como moro em uma área rural, tenho em minha casa uma horta. Já colhemos muitas coisas lá: mostarda, jiló, tomate cereja, almeirão, berinjela, quiabo, pimenta, pimentão, além de sálvia, salsinha, tomilho, alecrim, manjericão, coentro e por aí vai… Mas a coitadinha poderia ser melhor cuidada. Quando voltei da feira no sábado, estava muito entusiasmada e comecei a pesquisar sobre o assunto. Me deparei com o exemplo de Ernst Götsch e sua agricultura sintrópica. No ano passado, quando organizei um evento sobre mudanças climáticas, conheci Götsch, que também possui esse brilho nos olhos tão especial. Ele executa uma agricultura que recupera os solos degradados, integrando a produção de alimentos à regeneração das florestas. O adubo para o cultivo é justamente a poda das árvores. Como no meu terreno também tenho uma pequena mata cercada por uma terra degradada, eu e meu marido já traçamos vários planos para melhorar essa situação e, de quebra, ampliar de forma sustentável a produção da nossa horta. Propósito que influencia o outro e  gera atitudes positivas!