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Vegetais cultivados em prateleiras

Continuando a falar sobre tecnologia e sua contribuição para o Planeta e para o ser humano. Se por um lado, uma vida mais simples pode reduzir o nosso impacto, por outro, não podemos ignorar que o mundo segue crescendo e ainda existe muita gente sem ter o que comer. Nesse sentido, a inovação pode contribuir.

Segundo a ONU, 925 milhões de pessoas passam fome e até 2050,  20% da população mundial pode fazer parte deste grupo. Solos degradados, temperaturas extremas, fenômenos naturais intensos, redução da produção e aumento dos preços.

Somam-se a isso, a expansão do consumo, pois a população vai aumentar, e o desperdício de comida, que chega a 1/3 de toda a produção. Para a ONU, se o consumo continuar crescendo no nível atual, em 2050 precisaremos de 60% mais comida, o que exigirá 50% mais energia e 40% mais água. E a agricultura é o setor que mais gasta água no mundo, um recurso cada vez mais escasso. Estima-se que 70% da água utilizada no Planeta é destinada para irrigações.

E aqui entra a tecnologia para amenizar esses problemas.  Uma empresa de Nova Jersey (EUA), a AeroFarms, produz legumes e verduras sem luz solar ou terra, em um galpão ocupado no passado por uma siderúrgica. É uma fazenda vertical! E os planos são audaciosos: a companhia quer levar o modelo para várias outras regiões do mundo. Este tipo de produção não depende do clima, possui produtividade 75% maior que a obtida no sistema convencional, usa 95% menos água e metade dos fertilizantes e não demanda defensivos. Os alimentos são semeados em um material feito com garrafas de plástico, cultivados em bandejas e iluminados por lâmpadas LED.  As bandejas ficam em prateleiras dispostas umas sobre as outras, o que exige menos espaço. Um ponto negativo: a solução consome energia, mas que pode ser minimizado com a evolução deste segmento – energia eólica, energia solar, biomassa.

Espero que em um futuro próximo, ampliem essa forma de plantio ou criem outras alternativas para culturas de escala, como grãos, por exemplo. Uma prova de que a tecnologia, quando bem utilizada, pode ser uma aliada. E se a sociedade começar a demandar esse tipo de inovação, veremos cada vez mais soluções criativas e alinhadas ao bem-estar da humanidade, não só na agricultura, mas em diversos setores da economia. Assim é a lei do mercado.

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Fazenda vertical (foto: AeroFarms)

(Foto: Pixabay)


 

Os meses mais quentes da história

Gente, a temperatura está subindo. Não podemos ignorar os alertas. O mundo teve os últimos 12 meses mais quentes da história, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. Isso mesmo. Todos esses meses atingiram recordes. Em abril de 2016, a temperatura foi 1,1°C maior que a média obtida no século XX. E hoje vi uma notícia que me deixou assustada. Phalodi, uma cidade no Norte da Índia, apresentou ontem, dia 19 de maio, a maior temperatura já vista no país, 51°C, batendo a marca anterior de 50,6°C .

Sei que o tema não é animador para um final de semana, mas o considero importante para provocar reflexão e ação. E sim, precisamos de políticas e investimentos públicos e de iniciativas concretas por parte das empresas.

Só para lembrar, o aquecimento global pode gerar diversos tipos de desastres naturais e situações extremas, como secas, inundações, tempestades, incêndios e ondas de calor. A tendência é piorar as condições de regiões secas e úmidas, ampliando essas características até tornar esses locais inabitáveis. Não podemos deixar isso acontecer. É nosso dever preservar o planeta para as gerações futuras.

Quer reduzir as despesas com energia?

Você sabia que os eletrônicos utilizam energia mesmo quando não estão trabalhando? Sim…. Segundo estudos, este consumo responde por 20% dos gastos mensais das residências com eletricidade.  E existem alguns vilões em nossas casas, tais como:

Carregadores: gastam, mesmo quando não estão com equipamento conectado para recarga de energia. Após o uso, tire o carregador da tomada.

Cabos, em especial aqueles que possuem uma caixinha preta (conversor) no meio : eles gastam energia o tempo todo. Dessa forma, mesmo que os equipamentos estejam desligados ou em stand-by, estão consumindo. Precisamos estar atentos às TVs, laptops, impressoras, aparelhos de TV por assinatura, conversores digitais, DVD players, vídeo games, máquinas de café, aparelhos de música e equipamentos que acompanham celulares. Se quer economizar energia, a solução aqui também é tirar da tomada.

Computadores de mesa: você pode ativar o modo de economia de energia, nas configurações, estabelecendo um tempo para a tela entrar em stand-by e, após o uso, também deve desligar o equipamento da tomada. Os laptops não devem ser carregados na tomada o tempo todo enquanto estão em uso. Estraga a bateria e gasta energia.

Para facilitar a nossa vida, existem os plugs com botão para ligar e desligar. Lembrar de fazer essa checagem pode ser um pouco chato, mas, especialistas garantem que esta mudança de hábitos pode ajudar a economizar energia, melhorando o orçamento da família no final do mês. Medida consciente e inteligente, especialmente neste momento de crise no Brasil.

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(Gastos com energia no Reino Unido)


 

Conheça os carros mais econômicos e menos poluentes

Recentemente, escrevi sobre o uso de automóveis e o projeto que prevê a liberação da venda de carros de passeio movidos a diesel no Brasil (post Carros a Diesel no Brasil…). Volto a abordar o assunto, pois o Inmetro acaba de divulgar o ranking 2016 do Programa de Etiquetagem da categoria, que lista os carros mais econômicos e aponta o nível de emissão de poluentes, e a boa notícia é que o levantamento traz informações de 90% da frota comercializada no Brasil. Para atender às exigências do programa federal Inovar-Auto, em 2017, todos os modelos vendidos no país devem ser avaliados pelo Inmetro.

Consulte aqui o ranking na íntegra. Não tenho a intenção de divulgar modelos e estimular a compra, mas acredito que a eficiência energética e a capacidade poluidora devem ser consideradas no momento da escolha.  Para se ter uma ideia, os veículos mais limpos emitem, em média, 100 g/km de CO2 e os menos, 300 g/km de CO2. Uma baita diferença. Para facilitar a consulta, separei os modelos melhor avaliados, que receberam nota AA.

Micro compactos: New QQ 1.0 e 1.0 Act (Chery); MOBI Easy (Fiat); e Fortwo 71 cv, 84 cv Cabrio e 84 CV Coupé (Smart).

Sub compactos: Novo Uno Evolution (Fiat); Palio Fire Evo (Fiat); e toda a linha UP (Volkswagen).

Compactos: KA SE e SLE 1.0 (Ford); FIT DX, LX, EX e EXL, todos CVT (Honda); HB20 Confort, Plus e Style 1.0 (Hyundai); toda a linha New March (Nissan); 208 Active MT, Act Pack MT e Allure Pack MT 1.2 (Peugeot); 208 Sport MT e Allure AT 1.6 (Peugeot); Sandero Authentique e Expression 1.0 (Renault); Etios Hatchback X 1.3 M-6, XS 1.5 M-6,  XLS 1.5 M-6, Platinum 1.5 M-6 e Cross 1.5 M-6 (Toyota); Novo Gol Trendline e  Comfortline 1.0 (Volkswagen); e Novo Fox BlueMotion 1.0 (Volkswagen).

Médios: A1 Sportback Attraction 1.4 (Audi); KA+ 4 portas SE e SEL 1.0 (Ford); toda a linha City (Honda); HB20S Plus e Style 1.0 (Hyndai); CT200H  e CT200H F Sport 1.8 (Lexus); toda a linha New Versa (Nissan); toda a linha Etios Sedã e Prius (Toyota); e Novo Voyage Trendline e  Comfortline 1.0 (Volkswagen).

Extra grandes: Fusion Hybrid 2.0 (Ford).


 

Como plantar com sobras de alimentos

reaproveitamento de alimentos

Encontrei umas dicas ótimas de reaproveitamento de alimentos, utilizando-os como mudas para novos cultivos. De acordo com a FAO, atualmente cerca de 1/3 de todo o alimento produzido no mundo vai para o lixo (perdas e desperdício), o que corresponde a 1,3 bilhão de toneladas por ano. É muita coisa, considerando que ainda hoje uma parte da população do planeta passa fome. Agora, imagine quanto isso representa de perda de água, terra, energia, entre outros insumos utilizados durante o plantio. E o impacto de tudo isso?

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Perdas por categoria (FAO)

Além de inserir na nossa alimentação partes dos alimentos usualmente descartadas e utilizar o lixo orgânico como adubo – podemos falar sobre esses temas em outros posts -, o plantio de sobras aparece como mais uma alternativa. Sei que muitas pessoas moram em apartamentos ou espaços pequenos, mas a dica principal é colocar o vaso ou a vasilha com água perto de uma janela com incidência de sol. Também é preciso regar sempre e, em caso de vasos, utilizar adubos regularmente. Existem opções orgânicas no mercado ou você pode produzir o seu com sobras de alimentos. Fiz esses vasos da foto abaixo para a minha irmã. Também é uma ótima alternativa para presentear amigos.

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Vamos às dicas:

Coentro, manjericão, hortelã, alecrim, aipo, erva cidreira: basta colocar a parte inferior dos talos em um copo com água (cuidado com os mosquitos, troque a água sempre!). Os talos do manjericão devem ser cortados com 10 a 15 cm, deixando as folhas da parte de cima. Quando as raízes atingirem 2 centímetros, pode plantar em um vaso. O hortelã pede muita água

Gengibre: plante o gengibre mesmo, com o broto voltado para cima.

Tomate:  separe as sementes, lave, seque e plante. O tomate cereja é mais resistente.

Cebolinha e alho poró: deixar na água a parte branca da base (imergir 2,5 cm) com um pedaço da parte verde. Troque a água todos os dias. Pode cultivar a cebolinha na água mesmo ou plantar em um vaso.

Alho e cenoura: nestes casos são aproveitadas as folhas. Colocar os dentes de alho e as cabeças da cenoura em um recipiente com água. Depois de alguns dias as folhas começam a brotar. Elas podem ser utilizadas para complementar e temperar pratos.

Alface e repolho: colocar a cabeça em uma vasilha com água. Quando começar a criar raízes e folhas, a muda pode ser plantada na terra. No caso da alface, o cultivo pode ser na água.

Cebola: coloque a parte usualmente descartada da cebola em um recipiente com água e quando aparecerem as raízes plante em um vaso.

Foto do destaque: FAO


 

Um novo olhar sobre o consumo

economia circular
Na economia circular a noção de propriedade é modificada

O que vocês acham de um futuro sem a noção de propriedade sobre TVS, celulares, computadores, fogões, máquinas de lavar roupa e diversos outros bens que facilitam a nossa vida, mas deixam o Planeta cada vez mais cheio de lixo? Neste futuro, possuiríamos a licença de utilização, assim como o serviço de manutenção, e pagaríamos uma taxa por isso. Esse é um dos princípios da economia circular, uma revolução na forma como enxergamos o consumo.

A Época Negócios de abril traz uma entrevista com Ellen MacArthur, criadora da Ellen MacArthur Foundation, que tem buscado convencer empresas de vários lugares do mundo sobre a viabilidade da economia circular. Nessa proposta, os fabricantes redesenhariam o seu modelo de produção atual, assim como a forma de venda e interligação com toda a cadeia. Os produtos antigos seriam reaproveitados no próprio processo produtivo. E em alguns setores, além da recuperação na fábrica, também existe a possibilidade de o material ser regenerado biologicamente, voltando para a natureza.

Quando vejo esse tipo de iniciativa, que une tecnologia e inovação para repensar o nosso futuro, fico confiante. A Comissão Europeia já anunciou um ambicioso pacote de medidas relacionadas à economia Circular, que prevê metas até 2030. E Ellen garante que o conceito pode ser aplicado a qualquer setor da economia, desde que o processo consiga engajar não só empresas, mas também academia, órgãos reguladores e os governos.

A economia circular é uma opção para o problema do esgotamento de recursos e elevada geração de lixo e, segundo a McKinsey, pode ser muito rentável. De acordo com a consultoria, a adoção deste modelo adicionaria à economia US$ 1 trilhão até 2025 e geraria 100 mil novos postos de trabalho.

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Brasileiros mais conscientes após crise hídrica

Li hoje uma pesquisa que me deixou  animada. A crise hídrica no Brasil gerou uma mudança de comportamento na população, embora pequena. Mas é melhor ver a metade cheia do copo. Muito bom, não é? A convivência diária com a falta do insumo – aconteceu isso com 34% dos residentes na Grande São Paulo e 7% dos brasileiros – e o medo de ficar sem água provavelmente contribuíram. Espero que a população assimile esse hábito para sempre, assim como ocorreu com o cinto de segurança, apesar de a motivação ter sido outra, a regulamentação. Antes da legislação, andávamos todos soltos. Criança com cadeirinha??? Tá brincando. Lembro na minha infância, na década de 80, quando eu, minha irmã e primas íamos todas juntas para os nossos finais de semana no interior, soltas e felizes no banco de trás do carro. Mas hoje é impensável andar desse jeito, pelo menos aqui em São Paulo. Claro que o Brasil é imenso e existem muitas realidades, mas podemos ver esse hábito cada vez mais presente. Conscientização a partir de regulamentação, acompanhamento e multa.  Essa fórmula dá certo.

A pesquisa a que me refiro foi produzida pela Kantar Ibope Media. Segundo o levantamento, os brasileiros passaram a tomar banhos mais curtos: 38% disseram ficar, em média, cinco minutos no chuveiro, ante 27% em 2014. Após a crise hídrica, a frequência semanal de banhos também caiu, para 13,8, contra 15,7 em 2014. Entre os paulistanos, a média é menor, de 12,5 – 13,8 em 2014.  Em relação ao mundo, temos muiiiiito para melhorar. Na Itália, são seis banhos por semana… A pesquisa também mostrou mais consciência na hora de lavar a roupa e escovar os dentes e redução no consumo de energia.

2016 tem sido um ano chuvoso aqui no Sudeste, o que deu um alívio para a população da região. Agora alívio não pode significar retorno aos hábitos anteriores. Essa experiência negativa precisa gerar consciência de como somos totalmente vulneráveis e dependentes da natureza, e, mesmo sem obrigação, torço para que esse novo comportamento não seja só temporário, mais sim permaneça no nosso dia a dia. Medo e necessidade que provocaram mudanças. E mudanças que foram assimiladas por todos e tornaram-se permanentes. Vamos rezar.

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Comportamento do brasileiro após crise hídrica


 

Feitos para estragar

Produtos que saem das fábricas já concebidos para não durar muito. Obsolescência Programada é uma estratégia de negócios iniciada nos anos 20 para ampliar as vendas, mas que hoje já deveria ter sido colocada em desuso. Isso porque sabemos que o nosso Planeta tem limites.  Infelizmente, pouca coisa mudou. Comprei há alguns anos uma impressora da HP, que imprimia, tirava cópias e escaneava. Uma super impressora! Recentemente fui assaltada e levaram o computador com o programa do equipamento. Ok, instalei o software em outra máquina. Tudo certo? Não. Concluí a instalação, mas não havia comunicação entre o computador e a impressora. Fiz testes em dois outros computadores, utilizando também o programa disponibilizado no site da fabricante para o modelo. Sem sucesso… Resolvi procurar o serviço de suporte da HP – o atendente me explicou que não poderia me ajudar, pois o canal não tratava de equipamentos mais antigos. Liguei para uma loja. Também não consegui solucionar o meu problema. Fui instruída a falar com o SAC da HP, o qual me informou que nada podia fazer. Ou seja, tenho em casa uma impressora de 2008, pouco usada e que aparenta ser quase nova, mas que não funciona. Não tive coragem de comprar outra. Sigo com a esperança de resolver esse problema.

A Obsolescência Programada é um tema muito sério e não abrange apenas impressoras, mas eletrônicos em geral,  lâmpadas, eletrodomésticos, celulares, tablets, entre diversos outros produtos. Existe um documentário um pouco antigo, de 2011, mas bem interessante, que aborda o assunto. Sugestão da leitora Ariana. Vale a pena assistir. O vídeo mostra diversos exemplos de como a indústria vem conduzindo essa estratégia ao longo de décadas. Entre eles cita o caso das lâmpadas, que em 1924 tinham vida útil de 2500 horas, quando os fabricantes fizeram um cartel e decidiram reduzir esse tempo para aumentar o lucro. Quem não cumprisse, recebia multa. Com isso, iniciou-se um processo de diminuição do tempo de utilização e, em 1940, esse limite caiu para mil horas.

Existem também outros tipos de truques empregados, como o desenvolvimento de itens com desenhos cada vez mais encantadores para seduzir o consumidor e estimulá-lo a comprar mais, mesmo sem necessidade, quando ainda tem em casa um produto semelhante e utilizável. Nesse documentário, Warner Philips, fundador da empresa de lâmpadas LED Lemnis Lighting e cuja família criou a gigante Philips, diz que “não há um mundo ecológico e um mundo dos negócios”. Para refletir.

Li neste mês que a Fundación FENISS (Fundação de Energia e Inovação Sustentável sem Obsolescência Programada), de origem espanhola, lançou o ISSOP (Inovação Sustentável Sem Obsolescência Programada), que certifica os produtos que não usam essa estratégia de negócios. É importante que fique de olho, pois espero que em breve as empresas comecem a aderir a esse novo padrão, o que facilitará a nossa escolha. Enquanto esse selo não chega, sugiro que pense dez vezes antes de descartar algum bem e comprar outro. Eu seguirei buscando na internet alguma solução para a minha impressora…