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Os meses mais quentes da história

Gente, a temperatura está subindo. Não podemos ignorar os alertas. O mundo teve os últimos 12 meses mais quentes da história, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. Isso mesmo. Todos esses meses atingiram recordes. Em abril de 2016, a temperatura foi 1,1°C maior que a média obtida no século XX. E hoje vi uma notícia que me deixou assustada. Phalodi, uma cidade no Norte da Índia, apresentou ontem, dia 19 de maio, a maior temperatura já vista no país, 51°C, batendo a marca anterior de 50,6°C .

Sei que o tema não é animador para um final de semana, mas o considero importante para provocar reflexão e ação. E sim, precisamos de políticas e investimentos públicos e de iniciativas concretas por parte das empresas.

Só para lembrar, o aquecimento global pode gerar diversos tipos de desastres naturais e situações extremas, como secas, inundações, tempestades, incêndios e ondas de calor. A tendência é piorar as condições de regiões secas e úmidas, ampliando essas características até tornar esses locais inabitáveis. Não podemos deixar isso acontecer. É nosso dever preservar o planeta para as gerações futuras.

Propósito

Em momentos da vida encontramos pessoas muito apaixonadas pelo que fazem, e seu entusiamo transforma o nosso dia e gera uma vontade de mudar. Isso aconteceu comigo no último sábado, quando visitei pela primeira vez uma feira de orgânicos em minha cidade. Conheci lá o Carlos e sua esposa, que cultivam e vendem vegetais. Conversamos durante um bom tempo e pude perceber nos olhos, gestos e fala dos dois algo muito raro hoje, propósito. O propósito move esses felizardos e contribui para que consigam engajar e encantar outras pessoas. Eles me explicaram sobre a energia das plantas, espécies que afastam insetos, formas de plantio, entre outras coisas. Só sei que voltei para casa renovada, alegre mesmo pela oportunidade de aprender com o casal.

Como moro em uma área rural, tenho em minha casa uma horta. Já colhemos muitas coisas lá: mostarda, jiló, tomate cereja, almeirão, berinjela, quiabo, pimenta, pimentão, além de sálvia, salsinha, tomilho, alecrim, manjericão, coentro e por aí vai… Mas a coitadinha poderia ser melhor cuidada. Quando voltei da feira no sábado, estava muito entusiasmada e comecei a pesquisar sobre o assunto. Me deparei com o exemplo de Ernst Götsch e sua agricultura sintrópica. No ano passado, quando organizei um evento sobre mudanças climáticas, conheci Götsch, que também possui esse brilho nos olhos tão especial. Ele executa uma agricultura que recupera os solos degradados, integrando a produção de alimentos à regeneração das florestas. O adubo para o cultivo é justamente a poda das árvores. Como no meu terreno também tenho uma pequena mata cercada por uma terra degradada, eu e meu marido já traçamos vários planos para melhorar essa situação e, de quebra, ampliar de forma sustentável a produção da nossa horta. Propósito que influencia o outro e  gera atitudes positivas!


 

Como plantar com sobras de alimentos

reaproveitamento de alimentos

Encontrei umas dicas ótimas de reaproveitamento de alimentos, utilizando-os como mudas para novos cultivos. De acordo com a FAO, atualmente cerca de 1/3 de todo o alimento produzido no mundo vai para o lixo (perdas e desperdício), o que corresponde a 1,3 bilhão de toneladas por ano. É muita coisa, considerando que ainda hoje uma parte da população do planeta passa fome. Agora, imagine quanto isso representa de perda de água, terra, energia, entre outros insumos utilizados durante o plantio. E o impacto de tudo isso?

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Perdas por categoria (FAO)

Além de inserir na nossa alimentação partes dos alimentos usualmente descartadas e utilizar o lixo orgânico como adubo – podemos falar sobre esses temas em outros posts -, o plantio de sobras aparece como mais uma alternativa. Sei que muitas pessoas moram em apartamentos ou espaços pequenos, mas a dica principal é colocar o vaso ou a vasilha com água perto de uma janela com incidência de sol. Também é preciso regar sempre e, em caso de vasos, utilizar adubos regularmente. Existem opções orgânicas no mercado ou você pode produzir o seu com sobras de alimentos. Fiz esses vasos da foto abaixo para a minha irmã. Também é uma ótima alternativa para presentear amigos.

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Vamos às dicas:

Coentro, manjericão, hortelã, alecrim, aipo, erva cidreira: basta colocar a parte inferior dos talos em um copo com água (cuidado com os mosquitos, troque a água sempre!). Os talos do manjericão devem ser cortados com 10 a 15 cm, deixando as folhas da parte de cima. Quando as raízes atingirem 2 centímetros, pode plantar em um vaso. O hortelã pede muita água

Gengibre: plante o gengibre mesmo, com o broto voltado para cima.

Tomate:  separe as sementes, lave, seque e plante. O tomate cereja é mais resistente.

Cebolinha e alho poró: deixar na água a parte branca da base (imergir 2,5 cm) com um pedaço da parte verde. Troque a água todos os dias. Pode cultivar a cebolinha na água mesmo ou plantar em um vaso.

Alho e cenoura: nestes casos são aproveitadas as folhas. Colocar os dentes de alho e as cabeças da cenoura em um recipiente com água. Depois de alguns dias as folhas começam a brotar. Elas podem ser utilizadas para complementar e temperar pratos.

Alface e repolho: colocar a cabeça em uma vasilha com água. Quando começar a criar raízes e folhas, a muda pode ser plantada na terra. No caso da alface, o cultivo pode ser na água.

Cebola: coloque a parte usualmente descartada da cebola em um recipiente com água e quando aparecerem as raízes plante em um vaso.

Foto do destaque: FAO


 

Carros a diesel no Brasil…

carros a diesel
carros a diesel

Carros são um outro problema para o planeta, em especial para países como o Brasil.  De acordo com o Observatório do Clima, as emissões brasileiras do setor de transporte cresceram 143% de 1990 a 2012. A ampliação do acesso das pessoas a bens e serviços, como automóveis, faz com que as nações emergentes sejam um dos principais focos emissores nos próximos anos.

O nosso país deixa muito a desejar quando o assunto é transporte público. Vivo em uma cidade não muito distante de São Paulo, que é servida por um trem. Vez ou outra utilizamos o serviço, mas sempre quando não temos um compromisso que exige o cumprimento de horário, pois algumas vezes o trem simplesmente deixa de funcionar ou reduz a velocidade.  Nessas situações, só resta esperar ou descer em uma estação no meio do caminho e procurar a rodoviária mais próxima. Na minha casa temos como opção o carro, mas muitas pessoas não possuem. Imagine o desejo de adquirir um bem que elimine esse perrengue diário! Daí o desespero: na primeira oportunidade, o cidadão compra um carro. E a solução seria simples. Um serviço decente de trem, como existe em diversos países mais organizados, que interligasse as cidades da região à capital.

Além de não investir na melhora da infraestrutura de transporte público, o Brasil está discutindo a liberação da venda de carros a diesel, nos modelos de passeio (aqui mais detalhes), um retrocesso em relação ao que vem acontecendo no mundo e um perigo para a saúde da população. Segundo o Conselho Internacional de Transporte Limpo  (ICCT), caso isso aconteça, aproximadamente 150 mil pessoas podem morrer em decorrência de poluição até 2050. Sinto uma dor no peito ao ver caminhões e caminhonetes movidos a diesel emitindo uma quantidade absurda de fumaça, capaz de deixar qualquer um zonzo. E como moro em uma área rural, onde existem muitos desses, dia sim dia não encontro uma “maria fumaça” pelo caminho.  Moral da história: a inspeção não existe no Brasil e ainda querem aprovar carros a diesel, que emitem partículas extremamente perigosos quando não há manutenção correta! E não precisamos de diesel aqui, pois o Brasil é pioneiro na produção de etanol, um combustível bem mais limpo, que é praticamente neutro em emissões – se a gente avalia todo o ciclo, da produção à utilização.

Além disso, outros países, em especial os da Europa, têm adotado metas rigorosas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa pelos carros, assim como do consumo energético, e para isso possuem legislação específica, como o padrão Euro 6.  Mas o modelo utilizado aqui pelas montadoras é outro, muito mais frouxo.  O estudo Eficiência Energética e Emissões de Gases de Efeito Estufa (Coppe/UFRJ e Greenpeace) indica que se a indústria brasileira de automóveis adotasse meta de eficiência energética alinhada à europeia, mesmo que dobrasse o número de carros em 2030, as emissões seriam cerca de 10% menores do que as de 2010. Infelizmente as novas tecnologias, como carro elétrico, são caras e pouco acessíveis.

Recentemente tivemos uma pequena evolução no Brasil e alguns parâmetros foram criados para ajudar o consumidor a decidir pelo carro mais econômico ou menos poluente: o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, e a Nota Verde, do Ibama – embora essa última deixe a desejar, pois não traz informações de vários modelos, além de apresentar dados confusos e repetidos. Para quem não tem acesso a um serviço de transporte público “aceitável” e precisa optar pelo automóvel, olhar esses selos quando for comprar um carro pode ser um ato de cidadania e responsabilidade. Vamos pensar nisso.